Arquivo do mês de Outubro, 2009

‘E eu não…’

Segunda-feira, 26 de Outubro, 2009

Sou senhor do tempo e do espaço
Da vida e da morte
E não posso ter-te

Vives dentro e fora do meu coração
Saltitas entre esta e outra dimensão
E eu não posso tocar-te

Tens um brilho que te precede
Um sorriso que te enaltece
E eu não posso ver-te

És um mistério que me fascina
Sabes que o meu olhar me incrimina
E eu não posso dizer-te

Usas uma armadura de confiança
Transpiras doçura e ninguém de alcança
E eu não posso derrotar-te

Duquesa ou princesa és real
Eu e tu num infinito areal
E eu não posso sonhar-te

Se a importância da vida é a conquista
A incerteza de te ter perdida
Não é uma obsessão masoquista
Mas uma sequela da minha vida

‘Sou uma marca na areia..’

Domingo, 18 de Outubro, 2009

Sou uma marca na areia
Que o vento copia de vez em quando
E o mar apaga por brincadeira
Inocente de que cria um imenso pranto.

Sou um sorriso usado
Que brilha na ponta de um cais
Onde sentado foi esquecido
À mercê de marés desiguais

Sou um reflexo intermitente
Num gélido oceano inclemente
Sou uma carta sem remetente
Uma esporádica emoção para ti insuficiente

‘Não sou poeta…’

Sexta-feira, 16 de Outubro, 2009

Não sou poeta mas sou atleta da vida
Não sou perfeito mas tenho-te no peito querida
Não sou de ferro mas grito-te de peito aberto, Ó menina
Quero-te de volta e não perdida gentil airosa margarida

Porque de madrugada a neblina torna-se geada
E o meu corpo atónito cai numa berma de estrada
Cai ferido numa berma abandonada
Cai numa ausência que não pedi mas foi-me dada

Quando era jovem gritava em silêncio
Pouco depois escrevia memoriais imensos
Com o tempo perdi a voz e esqueci-me do alfabeto
Agora mesmo que incorrecto, um abraço
Numa berma de estrada a esta gentil Margarida é tudo o que peço

‘Desejava não ser a fraqueza’

Segunda-feira, 12 de Outubro, 2009

Tudo o que eu queria
Era não ter desperdiçado os momentos que desperdicei
Tudo o que eu desejava
Era ser o homem que ser não sei

Desejava não ser a fraqueza
Que estas palavras escreve
Mas antes a destreza
Que um sorriso e uma lágrima te deve

Não quero fazer promessas que possa vir a não honrar
Mas quero que não te esqueças que não há montanha ou mar
Que me faça mudar o rumo de te voltar a abraçar

Só tu, tão doce pequena sereia,
Só eu, tão esbelta menina Andreia,
Só nós, e este esboço de sonho ou ideia;

De mãos dadas e olhares fixados
Podemos abrir os portões de um sonho
Que para qualquer um de nós seriam demasiado pesados.

‘Não é suficiente.’

Domingo, 11 de Outubro, 2009

É um fim de tarde como qualquer outro
nós os dois a conversar, tu a sorrir eu a sonhar
O cinema é um pretexto como tantos outros
Para a gula inocente que criámos
Mas…

Novecentos e setenta mil metros de espaço sombrio
São coroas de saudade abandonadas ao frio
São rotas desconhecidas de um indomável rio

Que me assaltam o pensamento
A qualquer hora em qualquer circunstância
Que me fere e recorda o quanto lamento
Ter-me ido embora e imposto tamanha distância

Porque és um verso de um poema inacabado
Um gesto de um olhar apaixonado
Que disfarço mal e envergonhado
Não quero que os meus erros se tornem o meu legado

Espero ainda ter tempo de contigo viver inúmeras loucuras
Roubar-te das tuas fortalezas seguras
E embrenhar os nossos corpos entre as dunas
De um areal de inocência

Hoje escrevo-te não para te pedir perdão
Não para te dizer que sou um homem diferente
Hoje escrevo-te para te admitir a minha paixão
E dizer que ser teu amigo de ocasião em ocasião;
Não é suficiente.

‘No verso de uma rosa’

Terça-feira, 6 de Outubro, 2009

Se calhasse confundir-te com um rosa não seria crime,
Porque tu tão doce menina airosa és tão bela quanto a rosa mais sublime.
Contudo feres o coração de quem te pega ao colo com paixão
Apenas pra te sussurrar que o amor pode existir fora da ficção.

És o peito de uma história
Que eu pinto todos os dias
Numa tela imune à escória
Que tu sentencias.

Imune à escória de cento e noventa e quatro léguas
E palavras secretas que ficaram por dizer
Vulnerável ao tempo e às tréguas
De um amor complacente que muito faz sofrer.

‘Não sei…’

Quinta-feira, 1 de Outubro, 2009

O encanto do verso que foste
Esmorece com os actos que tomas
Inconsciente do que afugentas e do que afrontas
Deitas ao vento aquele com quem contas

Aquele que não dorme e que te sofre
Aquele que te chora e adora
Aquele que te sonha e implora
Que te tira do coração e esconde em cofre

Era uma história de amor
Nascida de uma amizade e carinho
Não sei provar os meus sentimentos
Nem justificar o meu caminho
Sei dizer-te contudo, que sinto a falta do teu calor

Não sei a verdade nem a mentira
Não sei a culpa nem a inocência
Sei que o passado ninguém me tira
E o futuro é o meu medo de condolência

Não te quero mais chorar
Não te quero mais perder
Perdi a batalha de te amar
Quero perder a de te sofrer.