É um fim de tarde como qualquer outro
nós os dois a conversar, tu a sorrir eu a sonhar
O cinema é um pretexto como tantos outros
Para a gula inocente que criámos
Mas…
Novecentos e setenta mil metros de espaço sombrio
São coroas de saudade abandonadas ao frio
São rotas desconhecidas de um indomável rio
Que me assaltam o pensamento
A qualquer hora em qualquer circunstância
Que me fere e recorda o quanto lamento
Ter-me ido embora e imposto tamanha distância
Porque és um verso de um poema inacabado
Um gesto de um olhar apaixonado
Que disfarço mal e envergonhado
Não quero que os meus erros se tornem o meu legado
Espero ainda ter tempo de contigo viver inúmeras loucuras
Roubar-te das tuas fortalezas seguras
E embrenhar os nossos corpos entre as dunas
De um areal de inocência
Hoje escrevo-te não para te pedir perdão
Não para te dizer que sou um homem diferente
Hoje escrevo-te para te admitir a minha paixão
E dizer que ser teu amigo de ocasião em ocasião;
Não é suficiente.