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“…um combate sem sentido”

Segunda-feira, 16 de Novembro, 2009

Acordo com o peito em chamas.
São rios de palavras roucas
São dores desumanas
Que urgem sair à rua, loucas, insanas.

Volto a adormecer
Exausto de combater
Esta falta de ter

Entro num mundo em que gostava de viver
Em que o barulho é mudo e ganhar é perder
Onde as ruas são perfeitas e o luar dura todo o dia
Onde não estou sozinho mas ao lado de quem queria

Mas esse mundo dura pouco
O suficiente apenas para o sentir perdido
O bastante para encarnar o corpo de um louco
E acordar para mais um combate sem sentido

Acordo com o peito em chamas.

São rios de palavras roucas

São dores desumanas

Que urgem sair à rua, loucas, insanas.

Volto a adormecer

Exausto de combater

Esta falta de ter

Entro num mundo em que gostava de viver

Em que o barulho é mudo e ganhar é perder

Onde as ruas são perfeitas e o luar dura todo o dia

Onde não estou sozinho mas ao lado de quem queria

Mas esse mundo dura pouco

O suficiente apenas para o sentir perdido
O bastante para encarnar o corpo de um louco
E acordar para mais um combate sem sentido

‘Este é só mais um olhar…’

Domingo, 1 de Novembro, 2009

Procuro-te na sombra de cada esquina
No mais parco gesto de afecto
Procuro-te porque te encontro querida
Junto a um peito de calor repleto

Procuro salvar-te
Mesmo sabendo que não precisas ser socorrida
Porque se me deixas guardar-te
É porque te sentes preferida

Contudo e sem mais contar
Um pecado te confesso
Por vezes não consigo evitar
Tantas lágrimas que não peço

Este é só mais um olhar
Que ignoras não ter preço
Até o dia em que este te faltar
E Eu te gritar – Não te conheço!

‘E eu não…’

Segunda-feira, 26 de Outubro, 2009

Sou senhor do tempo e do espaço
Da vida e da morte
E não posso ter-te

Vives dentro e fora do meu coração
Saltitas entre esta e outra dimensão
E eu não posso tocar-te

Tens um brilho que te precede
Um sorriso que te enaltece
E eu não posso ver-te

És um mistério que me fascina
Sabes que o meu olhar me incrimina
E eu não posso dizer-te

Usas uma armadura de confiança
Transpiras doçura e ninguém de alcança
E eu não posso derrotar-te

Duquesa ou princesa és real
Eu e tu num infinito areal
E eu não posso sonhar-te

Se a importância da vida é a conquista
A incerteza de te ter perdida
Não é uma obsessão masoquista
Mas uma sequela da minha vida

‘Sou uma marca na areia..’

Domingo, 18 de Outubro, 2009

Sou uma marca na areia
Que o vento copia de vez em quando
E o mar apaga por brincadeira
Inocente de que cria um imenso pranto.

Sou um sorriso usado
Que brilha na ponta de um cais
Onde sentado foi esquecido
À mercê de marés desiguais

Sou um reflexo intermitente
Num gélido oceano inclemente
Sou uma carta sem remetente
Uma esporádica emoção para ti insuficiente

‘Não sou poeta…’

Sexta-feira, 16 de Outubro, 2009

Não sou poeta mas sou atleta da vida
Não sou perfeito mas tenho-te no peito querida
Não sou de ferro mas grito-te de peito aberto, Ó menina
Quero-te de volta e não perdida gentil airosa margarida

Porque de madrugada a neblina torna-se geada
E o meu corpo atónito cai numa berma de estrada
Cai ferido numa berma abandonada
Cai numa ausência que não pedi mas foi-me dada

Quando era jovem gritava em silêncio
Pouco depois escrevia memoriais imensos
Com o tempo perdi a voz e esqueci-me do alfabeto
Agora mesmo que incorrecto, um abraço
Numa berma de estrada a esta gentil Margarida é tudo o que peço

‘Desejava não ser a fraqueza’

Segunda-feira, 12 de Outubro, 2009

Tudo o que eu queria
Era não ter desperdiçado os momentos que desperdicei
Tudo o que eu desejava
Era ser o homem que ser não sei

Desejava não ser a fraqueza
Que estas palavras escreve
Mas antes a destreza
Que um sorriso e uma lágrima te deve

Não quero fazer promessas que possa vir a não honrar
Mas quero que não te esqueças que não há montanha ou mar
Que me faça mudar o rumo de te voltar a abraçar

Só tu, tão doce pequena sereia,
Só eu, tão esbelta menina Andreia,
Só nós, e este esboço de sonho ou ideia;

De mãos dadas e olhares fixados
Podemos abrir os portões de um sonho
Que para qualquer um de nós seriam demasiado pesados.

‘Não é suficiente.’

Domingo, 11 de Outubro, 2009

É um fim de tarde como qualquer outro
nós os dois a conversar, tu a sorrir eu a sonhar
O cinema é um pretexto como tantos outros
Para a gula inocente que criámos
Mas…

Novecentos e setenta mil metros de espaço sombrio
São coroas de saudade abandonadas ao frio
São rotas desconhecidas de um indomável rio

Que me assaltam o pensamento
A qualquer hora em qualquer circunstância
Que me fere e recorda o quanto lamento
Ter-me ido embora e imposto tamanha distância

Porque és um verso de um poema inacabado
Um gesto de um olhar apaixonado
Que disfarço mal e envergonhado
Não quero que os meus erros se tornem o meu legado

Espero ainda ter tempo de contigo viver inúmeras loucuras
Roubar-te das tuas fortalezas seguras
E embrenhar os nossos corpos entre as dunas
De um areal de inocência

Hoje escrevo-te não para te pedir perdão
Não para te dizer que sou um homem diferente
Hoje escrevo-te para te admitir a minha paixão
E dizer que ser teu amigo de ocasião em ocasião;
Não é suficiente.

‘No verso de uma rosa’

Terça-feira, 6 de Outubro, 2009

Se calhasse confundir-te com um rosa não seria crime,
Porque tu tão doce menina airosa és tão bela quanto a rosa mais sublime.
Contudo feres o coração de quem te pega ao colo com paixão
Apenas pra te sussurrar que o amor pode existir fora da ficção.

És o peito de uma história
Que eu pinto todos os dias
Numa tela imune à escória
Que tu sentencias.

Imune à escória de cento e noventa e quatro léguas
E palavras secretas que ficaram por dizer
Vulnerável ao tempo e às tréguas
De um amor complacente que muito faz sofrer.

‘Não sei…’

Quinta-feira, 1 de Outubro, 2009

O encanto do verso que foste
Esmorece com os actos que tomas
Inconsciente do que afugentas e do que afrontas
Deitas ao vento aquele com quem contas

Aquele que não dorme e que te sofre
Aquele que te chora e adora
Aquele que te sonha e implora
Que te tira do coração e esconde em cofre

Era uma história de amor
Nascida de uma amizade e carinho
Não sei provar os meus sentimentos
Nem justificar o meu caminho
Sei dizer-te contudo, que sinto a falta do teu calor

Não sei a verdade nem a mentira
Não sei a culpa nem a inocência
Sei que o passado ninguém me tira
E o futuro é o meu medo de condolência

Não te quero mais chorar
Não te quero mais perder
Perdi a batalha de te amar
Quero perder a de te sofrer.

‘Zero horas’

Quarta-feira, 30 de Setembro, 2009

São zero horas de um novo dia
E dentro de quatro paredes translucidas
Oiço a rua tranquila e vazia

Enquanto mutilo a consciência
Na rota indistinta de uma lágrima
Torturo-a sob eclesiástica ciência
E atiro-a a um completo deserto em que tudo é terra árida

São zero horas porque o tempo não conta
Não conta sucessos nem depressões
Não conta rios nem monções
São zero horas porque o tempo acabou,
Agora o ritmo do dia é marcado por corações.

‘Dá-me…’

Sábado, 26 de Setembro, 2009

Dá-me uma oportunidade,
de te acordar a meio da noite para dizer que te amo,
de te aparecer no trabalho não com uma rosa mas com um ramo,
de te contar uma dor e derramar uma lágrima de verdade
sem que guardes rancor por te querer sobre toda a eternidade;

Dá-me um sorriso simples e puro,
como aqueles que me davas
que sem querer alimentavas
este querer irracional e mundano;

Dá-me uma conversa por dia,
Uma incerteza insana, um medo, uma fraqueza,
Não por não te querer soberana mas por te querer princesa
Num quarto nosso e secreto, deste amor, desta fortaleza.

Dá me a tua sinceridade nua,
Porque eu posso não ser o teu príncipe mas fui teu plebeu
E  o meu coração não tem sangue azul mas bate pelo teu.

‘Verbo das três da manhã’

Quinta-feira, 24 de Setembro, 2009

No contraste dos vocábulos com o papel
Procuro acalmar o que sinto
Descrevendo este mundo cruel
E a distância deste Recinto

Procuro contar uma verdade
Iludir a pressão e o medo
Divorciar o tempo da Saudade
Planear a fuga deste degredo

Mas esta cobardia o que faz de mim?
Um herói mal interpretado?
Não! Mas talvez um coração magoado.


Quando a loucura não permite mais que escrever a horas roubadas.

‘Quero’

Terça-feira, 22 de Setembro, 2009

Quero dar a minha vida
A alguém que a saiba viver
A alguém que saiba crescer
Mas ela é minha ainda

Quero aliviar dos ombros o medo
Porque por ele eu parei de viver
Porque ele me roubou o crescer
E a ele sucumbo novamente me  escondendo

Quero deixar de querer
Deixar de elaborar tantos sonhos
Deixar de lhe permitir que me roube os sonos
Deixar de sentir e não poder

Quero tomar rumo e vela
voz e mão
Quero tomar o mar pelo coração
e tornar a vê-la.

“Palavras são sonhos escritos no ar…”

Domingo, 20 de Setembro, 2009

Palavras são sonhos escritos no ar
Pensamentos voláteis de se apagar
São raios de um eu que alguém esconde
Peças de um puzzle à espera que alguém as monte

São receios e anseios que poucos reparam
Gritos estridentes para os que amparam
Uma queda simbólica Uma queda dolorosa
Um sorriso esporádico Uma alegria saborosa

Palavras são sonhos escritos no ar
Desejos impossíveis de esquecer
São traços de ti por abraçar
Futuros anónimos por escrever

Uma primeira vez…

Domingo, 20 de Setembro, 2009

A minha presença na comunidade internauta tem sido intermitente e sem qualquer legado, contudo  achei que era altura de deixar algo que, pela primeira vez, para bem ou para mal, pudesse ser visto e criticado por qualquer um.

Assim apresento hoje este recanto “Misleading Routes” do vasto oceano que é a web hoje em dia.

Agradeço ao fundador e dono da Yubo por ainda me permitir utilizar o servidor.

E espero receber retorno construtivo acerca do que aqui apresentar.

Saudações
Até breve